O grande pátio, dominado pela loggia quinhentista que exerce uma grande atração sobre quem passa neste ponto da cidade, é um exemplo impressivo de sobrevivência da carga simbólica de um lugar. Ele foi centro administrativo, político e religioso na época romana, foi templo cristão, pelo menos desde o séc. XI, paço episcopal a partir da segunda metade do séc. XII, museu desde 1911. É, por isso, um dos lugares mais complexos e aliciantes da cidade.

Entregue, naquela data, ao Estado Português, para instalação do Museu Machado de Castro, o edifício do antigo paço episcopal de Coimbra, já então classificado como Monumento Nacional, sofreu sucessivas obras de adaptação que foram permitindo conhecer a sua história e o valor arqueológico do sítio. Contudo, só o recente projeto de requalificação e ampliação permitiu aprofundar e dar visibilidade ao estudo científico do conjunto, graças a um programa global de intervenção que contemplou a arqueologia, a arquitetura e a museografia.

Requalificado e ampliado, num momento muito especial da sua história, o Museu reabriu recentemente ao público a totalidade dos seus espaços, cem anos após a sua fundação.

Apresenta-se com espaços completamente novos, vastos e luminosos que permitem, ajustar a índole das coleções às características da arquitetura envolvente e, pela primeira vez, oferecer condições de conforto e acessibilidade a diferentes públicos.

Conquistando uma dimensão de maior proximidade com os visitantes, o Museu pretende consolidar a sua identidade como lugar de partilha de saberes e de afetos.

Ana Alcoforado