Caracterização de uma patine rosa em substrato calcário

Algumas das paredes interiores da Igreja de S. João de Almedina, anexa ao Museu, bem como esculturas, retábulos em pedra calcária policromada e elementos arquitetónicos da coleção, apresentam uma patine rosa.

Patine rosa nas paredes de S. João de Almedina Patine rosa nas paredes da Igreja de S. João de Almedina Mapeamento de amostras recolhidas

Esta alteração não se limita ao museu alargando-se a outros espaços da cidade e do país. Com efeito, casos semelhantes têm sido identificados em outros monumentos portugueses. Refira-se a título de exemplo as paredes de cantaria do claustro do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, as paredes interiores e as colunas de pedra do Claustro do Silêncio e o átrio da sacristia manuelina do Mosteiro de Alcobaça, bem como as superficies calcárias do interior do Mosteiro da Batalha, nomeadamente os pilates e as nervuras de abóbadas da Capela do Fundador, na Igreja, o Claustro Real e ambos os andares do Claustro de Afonso V.

Um estudo levado a cabo em 2003, em colaboração com o departamento de Conservação e Restauro da Universidade Nova de Lisboa, permitiu atribuir à patine uma origem microbiológica e caracterizá-la cientificamente. Para isso recolheram amostras da patine em vários locais e identificaram-se os micro-organismos presentes - fungos e bactérias. Posteriormente selecionaram-se áreas de amostragem nas quais se testaram diferentes biocidas. A observação macroscópica permitiu avaliar a eficácia do tratamento e escolher o biocida mais adequado.

Caracterização da biodeterioração por micro-organismos na pedra calcária do interior da Igreja de S. João de Almedina:

Estudo de uma coloração rosa em substrato pétreo 1.pdf
Estudo de uma coloração rosa em substrato petreo 2.pdf
Estudo de uma coloração rosa em substrato pétreo 3.doc
Estudo de uma coloração rosa em substrato pétreo 4.pdf
Estudo de uma coloração rosa em substrato pétreo 5.pdf

Caracterização de alterações cromáticas
Caracterização de alterações cromáticas parte 1.pdf
alterações cromáticas 2.pdf
alterações cromáticas 3.pdf
alterações cromáticas 4.pdf
alterações cromáticas 5.pdf
alterações cromáticas 6.pdf


Pretendem levar-se a cabo uma nova recolha de amostras, para qualificar e quantificar a presença dos micro-organismos, e medições dos parâmetros colorimétricos que confirmem a eficácia dos biocidas, a longo prazo, no substrato. Diariamente é efetuado um controlo das variações de humidade relativa e temperatura do ar na Igreja de modo a aferir a bio-suscetibilidade do local. Embora os valores de temperatura e humidade relativa não sejam demasiadamente elevados e propícios ao crescimento biológico seria bom que fossem ligeiramente inferiores. A temperatura ótima para a maior parte dos microrganismos envolvidos na biodeterioração situa-se entre os 16º e os 35ºC, pelo que valores inferiores a 16ºC são os aconselhados. Relativamente à humidade relativa para objetos contaminados aconselham-se níveis inferiores a 55% alargando esses níveis até 65% para objetos não contaminados.

Seria igualmente importante caracterizar, mineralogica e petrograficamente, o suporte pétreo alterado como resultado da colonização biológica e estudar uma metodologia que permita eliminar a patine das superficies alteradas assegurando a estabilidade do substrato e a segurança para o operador e meio ambiente.

A metodologia a utilizar deve passar pela realização de uma amostragem biológica de modo a obter culturas puras em laboratório, isolando os responsáveis pela coloração. De seguida será necessário provocar o crescimento da patine rosa em amostras de pedra calcária, testando, in situ e em laboratório, biocidas eficazes na eliminação da patine e quantificando a eficiência do tratamento biocida e a sua duração.

Caracterização de pigmentos das obras de João de Ruão

Em colaboração com o Departamento de Física e o Instituto de História de Arte da Universidade de Coimbra e o Museu Nacional de Arte Antiga decorre, desde 2005, um projeto de investigação relativo à caracterização das técnicas de policromia associadas à escultura de João de Ruão.

Predela de Aparição de Cristo a Maria Madalena Mapeamento das amostras recolhidas na Predela de aparição de Cristo a Maria Madalena

Pretende-se com o projeto reunir uma base de amostragem significativa de modo a poder agrupar as esculturas cronologicamente, de acordo com as técnicas verificadas na policromia. Até á presente data foram estudadas duas predelas em calcário policromado - Predela de aparição de Cristo à Virgem e a Maria Madalena - e duas esculturas de vulto - Virgem e S. Bernardo. A ação deste grande mestre, a partir do segundo quartel do século XVI, foi notável, não só pela qualidade e quantidade de obras que nos deixou, como também pela formação de gerações de escultores que passaram pela sua oficina e se estabeleceram por todo o pais.

Notável é também a vasta produção satélite disseminada por todo o Baixo Mondego e que atinge diferentes pontos do país. As técnicas utilizadas são a microscopia ótica, micro-espectroscopia Raman, difração de raios-X (XRD) e a fluorescência de raios-X por reflexão total (TXRF).

Predela de Aparição de Cristo à Virgem Mapeamento das amostras recolhidas na Predela de Aparição de Cristo à Virgem

A microscopia ótica dá informação relevante sobre a estratigrafia da policromia das obras. A micro-espectroscopia Raman permite a análise não destrutiva e reprodutiva de partículas muito pequenas em laboratório, sem necessidade de preparação das amostras.. Como cada composto dá origem a um espectro Raman característico, é possível identificar pigmentos orgânicos e inorgânicos, assim como aglutinantes e vernizes, por comparação com espectros obtidos de bases de dados. Enquanto a XRD dá a informação relacionada com a estrutura cristalina dos pigmentos, a TXRF permite, no caso de pigmentos inorgânicos, a análise simultânea dos constituintes elementares dos pigmentos mais pesados que o potássio. Este estudo sistemático permitirá à história de arte produzir argumentos cientificamente comprovados progredindo na história das técnicas da produção artística.

Análise de pigmentos em obras de João de Ruão por difração de raios X e por espectroscopia Raman.zip

Estudo e análise de obras de arte através de micro espectroscopia Raman e difração de raios-x.pdf