Limpeza mecânica de um alto relevo Consolidação de um alto relevo

As intervenções levadas a cabo na oficina de conservação e restauro do museu procuram, numa primeira fase, estudar as técnicas envolvidas na realização das obras e as causas da deterioração dos seus materiais constituintes. Seguidamente atua-se no sentido de suster os seus efeitos, restituindo às peças a sua estabilidade física e a aparência.

O princípio ético, imposto pela conservação e definido na carta de Cracóvia 2000, de salvaguarda da autenticidade artística e histórica das obras é seguido. Nenhum dos tratamentos levados a cabo empobrece os objetos, altera as suas mensagens ou contribui para a sua descaracterização.

Procura-se diferenciar entre o necessário e o supérfluo, o possível e o impossível, a intervenção que valoriza as qualidades do objeto e aquela que as oculta, de forma a minimizar os perigos de alteração ou manuseamento incorreto das peças que, forçosamente, toda a intervenção implica.

Os dois projetos principais do museu, levados a cabo desde 2003, são o conjunto escultórico a Ultima Ceia de Hodart, em terracota, e os retábulos em pedra calcária policromada.

A Ultima Ceia

Uma das primeiras etapas da intervenção de conservação e restauro da Ultima Ceia consistiu no desmantelamento de todas as figuras e na sua remoção das bases de madeira em que foram colocadas em intervenções anteriores.

Elemento de ligação entre os dois tacelos de um apóstolo Colagem de uma cabeça de apóstolo

Provavelmente para unir tacelos, ou para reforçar zonas mais fragilizadas, terão sido usados elementos em ferro. O uso de elementos metálicos selados com chumbo, ou argamassa, em esculturas de terracota é comummente referenciado.

Nas figuras dos apóstolos existiam alguns elementos mas que não consideramos serem originais. Por estarem oxidados e pouco estáveis poderiam provocar traumas à terracota e não asseguravam a ligação entre as partes, não desempenhando assim o seu papel. Por conseguinte, optou-se por os remover. Quando a sua remoção foi mais difícil efetuaram-se pequenos orifícios nas margens na superfície de rotura da terracota de modo a criar, em torno dos elementos metálicos, um espaço vazio que facilitasse a sua extração.

Desmantelamento de uma cabeça de apóstolo Limpeza mecânica de um tacelo

Para isso foi necessário remover mecanicamente o material que unia os tacelos entre si e que assegurava a fixação destes ás bases - mistura de gesso, sisal e cimento. A remoção, com escopro e martelo, permitiu assim separar individualmente todos os tacelos, devidamente marcados para que fosse depois possível identificar o local de onde tinham sido removidos.

As integrações feitas em cimento e em gesso foram removidas mecanicamente, exceto quando isso fragilizava demasiadamente o suporte ou ameaçava mesmo a sua rotura, dada a forte adesão do material. Nesses casos optou-se por remover o máximo de material não original possível não atingindo a superfície original da terracota.

Identificação de fragmentos Fragmentos de pés

Retábulos em pedra policromada

Os retábulos em pedra calcária policromada estavam adossados a paredes exteriores do museu, não sendo possivel, antes da desmontagem, ter a noção de número total de peças que os constituiam. Com efeito, o mapeamento dos retábulos foi efetuado ao mesmo tempo que se foi levando a cabo a desmontagem. Depois de se ter realizado uma extensa documentação fotográfica e gráfica sobre as várias partes constituintes de cada retábulo (conforme se apresenta nas apresentações em pps) foi feito um facing da superficie para proteção das camadas cromáticas.

A falta de coesão das camadas cromáticas colocava em risco a sua estabilidade na altura da desmontagem. Assim, foi levada a cabo a fixação da policromia com cola animal e papel japonês, o que permitiu a desmontagem em segurança dos retábulos.

Aplicação de facing no retábulo para proteção da policromia Mapeamento do retábulo

Só posteriormente foi levada a cabo a desmontagem dos retábulos e a sua transferência para a oficina de conservação e restauro. Para esse efeito foi montada uma estrutura em carril que permitiu remover as várias partes dos retábulos da parede e conduzi-las até ao veiculo que efetuou o seu transporte para a oficina de conservação. Após a remoção dos retábulos da parede e a sua transferência para a oficina de conservação todos os facings foram removidos.

De seguida removem-se mecanicamente as argamassas, cimentos e espigões metálicos, operação extremamente morosa devido, por um lado, a elevada resistência mecânica do cimento e a forte oxidação dos elementos metálicos.

Transporte da figura de Cristo para  oficina Colocação da figura de Cristo no tanque de dessalinização

Figura de Cristo durante a dessalinização Acondicionamento da figura de Cristo no tanque de dessalinização

De seguida é levada a cabo a limpeza, mecanica e quimica, das camadas cromáticas ao mesmo tempo que se efetua a sua fixação pontual. No final é feita uma fixação total da policromia que permite que as peças possam ser imersas com segurança em água para a extração dos sais.

Esta é feita pelo processo de osmose tendo sido construído um tanque compartimentado de grandes dimensões que permitisse a imersão total das peças. O processo de extração é controlado semanalmente até que se atinjam valores constantes de conductividade elétrica.

Para compreender como são constituídos os retábulos em pedra do museu consulte as apresentações em pps.

Deposição no Túmulo.pps

Retábulo Paixao Cristo.pps

Retábulo S. Miguel.pps

Retabulo salvador.pps

Retábulo Tobias.pps

Retábulo Visitação.pps

Ssmo. Sacramento.pps

Têxteis

O Museu efetua também trabalhos de conservação e restauro na área dos têxteis. Presentemente está a ser levada a cabo uma intervenção num Tapete de Arraiolos, da segunda metade do século XVII.

O primeiro trabalho consistiu na aspiração cuidadosa do tapete de forma a evitar o levantamento de pontos. De seguida, removeram-se todas as intervenções anteriores nomeadamente pontos, retalhos e remendos.

Medição de lacuna no suporte Preenchimento de lacunas na teia

A fase posterior iniciou-se com o preenchimento das lacunas da orla do tapete, conseguido através do encadeamento e do tecimento dos fios da teia (em tafetá).

Por fim, levou-se a cabo o preenchimento das principais lacunas do tapete, de modo a reforçar os seus pontos mais frágeis e devolver a sua leitura parcial.

Preenchimento de lacunas na trama Reconstituição da teia e da trama

Durante o ano letivo 2005-2006 foi realizado um estágio de licenciatura em conservação e restauro da Universidade Nova de Lisboa que consistiu na análise e caracterização de têxteis com vista à elaboração de um projeto de conservação preventiva para a reserva de têxteis do futuro museu.

O trabalho iniciou-se com a realização de um breve diagnóstico da coleção de têxteis a alojar na reserva e com um levantamento das necessidades da coleção do ponto de vista da conservação preventiva. Numa fase posterior procurou-se a melhor localização para alojar a reserva de têxteis no futuro edifício, propondo-se as condições e os materiais para o acondicionamento da coleção. Por último, propôs-se um plano de emergência e de monitorização da reserva.

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Foi também levado a cabo o estudo histórico e técnico de um tapete Persa e diagnosticado o seu estado de conservação. Para o estudo dos materiais e técnicas foram utilizadas técnicas não destrutivas e micro-destrutivas: espectrofotómetro portátil, microscopia ótica, cromatografia líquida de alta resolução, plasma de acoplamento induzido com deteção por espectrometria de abosrção atómica (ICP-AES) e microespectroscopia de infravermelho por transformada de Fourier (FT-IR). A última fase do estágio consitiu na intervenção de conservação do tapete.

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